A Moto Contínuo Engenharia era uma empresa especializada em motores e geradores de última geração, sua sede era na terra e possuía filiais em toda a galáxia. Era uma sexta-feira, final de expediente quando Cristina que trabalha no setor de atendimento ao cliente, percebe o alerta de emergência. Era o pedido de ajuda do Dr. Laste.
Dr. Laste havia cumprido seu papel na ciência moderna, e depois dos 120 anos decidiu se isolar numa das luas de Saturno para desenvolver suas teorias e experimentos longe da agitação da humanidade.
— Boa noite Dr. Laste, recebemos seu chamado de alerta. Alguma coisa grave? — Pergunta atenciosamente Cristina.
— Minha filha, se você pode chamar de grave um pedindo de auxilio para a manutenção do meu único gerador elétrico a mais de duas semanas eu acredito que seja. Em mais uma semana não sei se estarei aqui para receber o técnico de manutenção.
— Me deixa dar uma olhada para ver se identifico o porquê dessa demora, 1 minuto senhor.
Nisso Cristina já sabia que o problema era do gerador elétrico. Quase não havia mais ninguém que entendesse daquela tecnologia. Estavam tentando o convencer para trocar o gerador por um mais atual, porém ele dizia que poderia interferir em seus experimentos. Vasculhou o histórico do único técnico que poderia prestar manutenção para o Dr. Laste, Peterson Tox. Percebeu que haviam lhe atribuído tarefas de prioridades maiores, como socorrer a filha do embaixador de Sirius que havia fundido o motor da nave esportiva numa nebulosa, e arrumar os geradores que esquentavam as cataratas do Iguaçu para o sheik Mustafa Pereira. Acionou o comunicador espacial e entrou em contato com Tox.
— Certo Tox, quanto tempo você consegue chegar ao Dr. Laste? — Pergunta Cristina já cansada de ouvir as desculpas de Tox.
— Se eu partir agora, em uns seis dias. — Respondeu Tox.
— Então parta ontem, pelo que o doutor me falou pode ser que ele não tenha esse tempo. — Desliga Cristina já preocupada. Nisso retorna o chamado com o Dr. Laste:
— Doutor, o técnico deve estar partindo agora.
— Minha filha, espero que essa não seja nossa última conversa, gostaria muito de receber o técnico e comemorar o concerto do gerador. — Ironiza o velho Dr. Laste.
— Com certeza doutor, ele deverá chegar a tempo. — Disse Cristina com um sorriso mais forçado que pode fingir.
A viagem estava ocorrendo conforme o planejado até Tox ser surpreendido por uma onda de meteoros que o forçou a fazer um desvio, lhe custando dois dias a mais na viagem.
— Bom dia doutor. Ainda bem que a esperança é a última que morre não é? Tive uns contratempos, mas aqui estou. Onde está o gerador? — Pergunta Tox na entrada do laboratório do Dr. Laste, como se este nem tivesse notado o atraso.
— Bom no meu caso tive que matar a esperança antes que ela me matasse.
— Mas como assim doutor?
— É como aquele antigo provérbio, é bom ter esperança, mas é ruim depender dela. Quando o gerador parou e percebi que em algumas horas iria morrer, decidi abrir a geringonça e fiquei surpreso ao verificar que seu funcionamento era muito parecido com um motor de um antigo veículo que possuía na minha juventude. Ai foi só apertar um parafuso aqui e outro ali e acho que ta funcionando melhor do que antes.
— Mas como, então o senhor já arrumou?
— Já meu filho, e já comemorei também, então se você puder levar essa rolha para a Cristina eu agradeço. Passe bem.
E assim Dr. Laste fechou a porta na cara de Tox e esse voltou sem entender muita coisa.
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